Greve no TJRO: Entenda a greve no Poder Judiciário

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Muitos questionamentos rondam a greve dos trabalhadores no Poder Judiciário de Rondônia. A decisão pela greve que também é um direito constitucionalmente de qualquer trabalhador que se sinta lesado em seus direitos partiu depois de muitas reuniões e assembleias. Muitas propostas foram levadas pelo Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário do Estado de Rondônia – SINJUR, à Administração para que analisasse e atendesse os pedidos da categoria e assim não fosse necessário uma paralisação geral, evitando prejuízos para a população com a suspensão de vários serviços do Judiciário, mas em nenhum momento foi sinalizado pelos gestores que as solicitações ou parte delas iriam ser atendidas e até hoje, na segunda semana de greve, em todas as Comarcas do Estado, a Administração do TJRO não fez sequer uma única proposta à categoria e isso infelizmente mostra o total descaso com os trabalhadores. Mas a categoria está unida e reafirma que enquanto o presidente do Judiciário rondoniense não entender que é necessário respeitar os direitos dos trabalhadores e ao menos apresentar propostas, a categoria segue em greve por tempo indeterminado.

 

A atual Administração do TJRO não tem o mínimo respeito pelos trabalhadores do Poder Judiciário e isso cada dia fica mais evidente. O Presidente do TJRO, vem utilizando espaços na imprensa para falar que o servidor do Poder Judiciário “ganha bem”, por isso não existe a necessidade de lutar por reajuste salarial, o que não procede, pois todos sabem que os valores de muitos itens essenciais para uma vida no mínimo digna subiram. Sendo também que a categoria não busca apenas um salário melhor, mas sim condições de trabalho melhores, pois em muitas Comarcas e até prédios do Poder Judiciário que ficam na capital, estão insalubres, e isso sem dúvida tem um reflexo muito mais amplo do que se possa imaginar e é no mínimo conflituoso quando se pensa que um órgão que luta pela justiça e pela garantia dos direitos de uma população, sequer consegue respeitar e garantir os direitos internos, ou seja, de seus próprios trabalhadores.

 

Outro ponto bastante conflitante é que os magistrados já receberam aumento nos subsídios esse ano, já garantiram também mais 5% de aumento em janeiro de 2014 e mais 5% em janeiro de 2015. O então presidente do TJRO, desembargador Roosevelt Queiroz em apenas seis meses, de setembro de 2012 a fevereiro de 2013 recebeu entre subsídios e outros benefícios mais de quinhentos mil reais, isso mesmo, mais de meio milhão de reais, em apenas seis meses. Isso é prova suficiente de que o orçamento do TJRO é grande. Só a primeira parcela do pagamento retroativo do auxilio alimentação foi no valor de quase 10 mil reais e o Presidente do TJRO recebeu no mês de janeiro deste ano. Só não recebeu mais porque o CNJ suspendeu essa “farra” com o dinheiro público.

 

Argumento inconsistente

A atual Administração do TJRO ainda argumenta que não existe orçamento para a reposição salarial, que o Estado passa por um momento de crise, o fato é que A atual Administração do TJRO e seus Auxiliares, não querem garantir os direitos dos trabalhadores, não querem usar o orçamento do TJRO para arcar com a reposição salarial da categoria e ficam se apoiando na crise financeira, dizendo que a China não crescerá o esperado e que a Europa está em crise e justificando que o Estado não tem condições no momento, sendo que a competência financeira é do Poder Judiciário. Tudo que está sendo solicitado para a categoria, foi apresentando na pauta de reivindicações no ano passado, muito antes de definirem o Orçamento anual do órgão, porém os pleitos da categoria não foram e continuam não sendo prioridades para a atual Administração.

 

Presidente “esquecido”

O Presidente Roosevelt vai à imprensa com o claro objetivo de por a opinião pública contra os servidores do TJRO, ao fazer comparações salariais. Fala que o auxílio alimentação foi reajustado em 34% e o auxílio saúde 67%, mas “esquece-se” de falar quais valores representam esses percentuais e que o reajuste nesses auxílios, para ele, foi de 100%, afinal de contas, ele não recebia nenhum desses auxílios antes de janeiro. Tudo foi criado agora nesse semestre.

 

A greve continua

“A reposição salarial é um direito garantido constitucionalmente e deve ser respeitado e o que os trabalhadores pedem neste momento não é nada que estejam fora das condições orçamentárias do TJRO, afirmou o Presidente do SINJUR, Francisco Roque.